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segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Cartas de Iwo Jima"


As salas de exibição do Japão são dominadas pelo filme do diretor norte-americano Clint Eastwood sobre a sangrenta batalha de Iwo Jima --em 1945, no Pacífico--, sob o ponto de vista nipônico.
"Cartas de Iwo Jima" é o segundo longa-metragem dirigido por Eastwood a respeito do momento chave da campanha do Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial, depois de "A Conquista da Honra", que apresentou a batalha sob uma perspectiva norte-americana.
Em fevereiro de 1945, Iwo Jima, uma pequena ilha vulcânica perdida 1.200 km ao sul de Tóquio, foi cenário de combates violentos que deixaram 6.821 mortos nas fileiras Americanas e 21.900 no exército imperial japonês.
Desde a estréia no Japão, em 9 de dezembro, o filme lidera as bilheterias, com quase três milhões de espectadores e a arrecadação aproximada de quatro bilhões de yenes (30 milhões de dólares), segundo o estúdio Warner Brothers.
"Grande filme e cenas inesquecíveis. Senti pena pelos soldados japoneses que morreram, mas foi graças ao sacrifício deles que o Japão hoje é um país pacífico. Me senti orgulhosa", explicou Hisako Komatsu, funcionária pública de 52 anos, na saída de um cinema em Ginza, Tóquio.
Hisako Komatsu encarna bem a geração do pós-guerra, cansada do complexo de culpa e bem mais conservadora, assumindo cada vez mais um patriotismo sem complexos.
É diferente da sensibilidade da geração anterior, a que viveu a guerra, que é bem mais pacifista, como expressa bem um aposentado que saiu comovido com as cenas ultra-realistas de Eastwood.
"É um bom filme, mas, porque matarmos uns aos outros? Porque os homens têm que morrer assim? Amemos a vida e a paz", ressaltou Hachiro Minobe, de 81 anos, que sobreviveu aos bombardeios de Tóquio, em março de 1945. Minobe se sente feliz porque desta vez os japoneses não são os "maus" em um filme sobre a guerra no Pacífico.
Sua filha, Naoko Minobe, 45, secava as lágrimas ao seu lado, depois de ter visto esta "excelente lição de História". Takeo Baba, 22, estudante da Universidade de Waseda, chorou "três vezes" durante a exibição.
"Em particular quando o jovem herói, que tinha a minha idade, sonha com sua mulher e seu filho. Algumas cenas são extremamente cruas, como quando são vistos ventres abertos".
"Quando saí do cinema para voltar à vida 'normal', a distância com a qual havia visto --toda essa gente da minha idade que morria-- era perturbadora. Mas sinto gratidão por esses soldados que morreram por nós", acrescentou.
Os espectadores estão agradecidos por Eastwood ter feito um retrato humano dos soldados imperiais, geralmente tratados como caricaturas por Hollywood.
Os filmes japoneses sobre a guerra tendem a pintar os japoneses sempre como vítimas, como em Hiroshima.
"Aprecio que um norte-americano tenha sido capaz de mostrar as vítimas japonesas. É incrível. Se os japoneses tivessem feito estes filmes, com certeza teriam sido acusados de nacionalismo", disse rindo o estudante.
A estrela do filme, Ken Watanabe, o mais célebre ator japonês da atualidade, que faz o papel do general Tadamichi Kuribayashi, encarregado de defender Iwo Jima, interpreta um oficial culto e cheio de compaixão.
Com este filme, Clint Eastwood, que já recebeu duas vezes o Oscar, quis explorar "a grande futilidade da guerra". "Na realidade nunca há vencedores. É sempre a mesma coisa, o 'sacrifício da juventude', toda essas pessoas mortas na flor da idade. Não se pode esquecer isto", declarou Eastwood em uma entrevista coletiva à imprensa em Tóquio.

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